terça-feira, 6 de abril de 2010

“Conto da CarroChinha"

...Alguns anos se passaram e, depois das voltas do mundo, aquelas almas voltaram a se encontrar...

Ele, um KADETT da polícia, experiente, rodado, mas com cara D-20. Um homem auto, FORD, eDUCATO e romântico. Passou longos anos de sua vida seguindo marginais e a combatendo o TRAFFICo em suas intermináveis HONDAS noturnas. Já foi militar e também CIVIC, mas hoje, aposentado, vive uma vida DELL REY. Seu nome? ROMEU.

Ela, uma MONZA bela, alegre, de olhar VARIANT. Vinda do Sul, terra PAMPA. Dona de uma beleza que oFUSCA, uma SUPREMA simpatia, pele lisa como a SEDAN i30 anos de idade. Jeitão de moleca...

Em vez de DAKOTA, saia e colar... All Star, jeans e correntes.

Seu nome? XSARA.

Como não podia ser diferente, os dois se reencontraram, por acaso, numa baLADA, em um dos melhores POINTERS da cidade de BRASÍLIA. Era uma FIESTA CLASSE A. No salão, só gente da alta, desde DIPLOMATAS granfinos até PERUAS fogosas. Boa parte era GLS, mas isso não vem ao caso.

Ele, cheio de STILO, trajava seu melhor BLAZER. Como um GALLANT vasculhava cada canto à procura de uma companhia. Estava na parte superior do AUDItório e tinha uma visão de todo o PANORAMA do local, de um PÓLO a outro.

De repente ele a reconhece! Não acredita no que está vendo. Ajusta o FOCUS para ver se não estava enganado e, ainda meio BESTA, esboça um sorriso.

Como de costume ela estava bem informal... roupa SCORT e tênis.

Entretida em seu maior HOBBY, a música. Bastou ouvir um ACCORD para se aproximar do palco montado ao fundo, e apreciar a banda da noite que tocava SANTANA, The COMODOROS e BETTLES... Tocavam de Jazz à FUSION.

Não era preciso conhecê-los muito para perceber que eram totalmente opostos. Os dois eram TIPO “Eduardo e Mônica”, e por coincidência, na terra da Legião Urbana.

ROMEU era o ALFA, XSARA o ÔMEGA!

Ao contrário da maioria dos outros casais, ela é quem gostava de futebol, ela é quem gritava GOL! Ela é quem curtia SPORTS. Desde tênis até GOLF. Não perdia um LANCER sequer. Era fã de Romário, Jordan e, é claro, SIENA.

Ele curtia mais o cinema. Demmi Moore e Sharon Stone eram as preferidas entre as ASTRAS. Na música, gostava muito da MPB de Gal, Bethânia e ELBA, e ficava PUNTO da vida com música barulhenta.

Apesar de tudo, os dois tinham ao menos uma coisa em comum, adoravam as artes. ROMEU amava Da Vinci e XSARA PICASSO.

Então ela o vê. Fica confusa. Não se viam a MILLEnios. Não tinha certeza se era ele. Automaticamente, depois daquela troca de olhares, os dois começam a se lembrar dos velhos TEMPRAS, dos testes drivers, dos drivers thrus, das viagens, e é claro, daquela noite inesquecível em que viram juntos um ECLIPSE à beira de uma bela LAGUNA. Lembram também de CELTA vez em que ela o convenceu a participar de um rally nas MONTANAS de SerJEEP. Justo ele que não era ADVENTURE!

Naquele momento, mesmo à distância, tudo parecia bem. Até que ela perdeu a LINEA ao se lembrar de que ele a abandonara. Foi o suficiente para que ela ficasse extremamente BRAVA, tanto que começara a RANGER os dentes. E com razão, é CLARUS!

Ele se toca. Percebe que a MAREA não estava pra peixe. Fica meio sem graça... Pensa... Caminha daqui pra lá, de lá pra KA. LOGUS se aproxima e estaciona. A cumprimenta com um sorriso amarelo, mas ela fica em silêncio.

Imediatamente ela o faz lembrar da vez em que a deixou para trás. Ele recua, e numa manobra arriscada, começa a se desculpar dizendo o QUANTUM ele a amava, que se arrependera de tudo o que havia feito e que gostaria de poder voltar atrás. Que realmente tomou a direção errada e se perdeu no caminho que escolheu. Ao mesmo tempo tenta se DEFFENDER, explicando que ela também não o procurou. Mas o importante é que ele ainda a amava e faria tudo para tê-la novamente, inclusive se rebaixar, se fosse necessário.

Depois disso, rapidamente ele saca de seu bolso um lindo anel... Ouro, ZAFIRA e brilhantes, uma verdadeira relíKIA, como se já previsse aquele encontro. Pede perdão e, com seu sotaque importado, lança:

- Eis UNO presente PARATI! ESPERO que goste! É menos do tu mereces e nada perto do que ainda hei de fazer. ACCENT, é de coração! Eu falhei um dia, MAZDA qui pra frente, te farei muito feliz.

Não se pode negar que depois disso ele a balançou. Ela era apaiSONATA por ele. Mesmo assim não abriu todas as portas e ainda buzinou em seu ouvido.

Ele continuava a se PROTEGEr, cuidado para não soar PEUGEOTrativo.

Jogando um CHEVETTE, ele alegou que seus pequenos casos não passaram de fogo de PALIO (PALIO FIRE, como diriam os americanos), que ela tinha de esquecer o PASSAT e as coisas VANS e pensar apenas no OGGI, afinal, eles tinham um MONDEO pela frente.

Naquele vai e vem, e depois de seus 147 motivos pra recomeçar, ela não resistiu. Ao som de MERCEDES BENZ da Janis, seu coração acelerou!

Os dois conversam durante horas. As peças começaram a se encaixar. Então decidem começar novamente do zero, sem marcas.

Rápido como uma CORSA ele tem uma excelente IDEA!

A convida para tirar umas longas férias...

Quem sabe em IPANEMA, ou algum outro lugar do mundo?

Ela adoraria conhecer algum país da ASIA.

No fim, a noite foi MAXIMA. E para comemorar aquele PRÊMIO, nada melhor do que simplesmente cair na STRADA!

Aprontaram as malas e foram em BORA...

Bon VOYAGE!!

Lê Poveda

terça-feira, 30 de março de 2010

DEIXEI DE SER USUÁRIO

Finalmente me libertei!

Depois de muita luta, muita dor de cabeça (nos dois sentidos), problemas de saúde, psicológicos e de auto-estima, deixei de ser usuário! Minha história é idêntica a de milhares de pessoas que penam nessa vida.

Poucos conseguem sair.

A maioria é extremamente dependente, assim como eu fui.

No fim de minha infância e começo da adolescência eu morava no interior.

Lá as coisas são diferentes. Lá eu não tive esse problema, pelo menos dependência, não.

Quando voltei a São Paulo, aos 16 anos, custei um pouco a conseguir emprego. Isso fez com que eu usasse pelas primeiras vezes. Mas, pela falta de dinheiro e ausência da sensação de dependência, não usava sempre. Porém, foi só conseguir alguns bicos que o problema começou...

Estranhei um pouco no começo, afinal era uma viagem nova.

Para quem estava numa tremenda monotonia isso até era visto com bons olhos. Era legal! Eu conhecia coisas novas, pessoas novas, novos ambientes.

Sensação de liberdade e, contraditoriamente, independência!

Mas com o passar do tempo você nota que as pessoas novas são sempre as mesmas... E que elas não são felizes ali, mas, simplesmente, não tem escolha.

Comecei com pequenas viagens, mas, sabe como é...

Você quer mais! Quer ir mais longe!

Em pouco tempo aquilo passou a consumir boa parte do meu tempo e do meu dinheiro. Eu comecei a ter as primeiras crises, mas não tinha jeito. Meu corpo já estava entregue.

Eu já fazia parte daquela multidão de rostos abatidos.

Minha família nada podia fazer pra me ajudar.

Todos eles também usaram durante muito tempo.

Não consigo imaginar como eles se livraram.

Um deles até chegou a trabalhar com isso, mas não agüentou a pressão e deixou.

Aos 18 anos trabalhei como Office-boy. Nesse período entrei de cara em tudo! Usava absoutamente de tudo! Onde quer que eu fosse eu usava!

Não demorou muito para começarem os problemas de saúde...

Problemas respiratórios, dores de cabeça insuportáveis, cansaço, fraqueza, náuseas.

Próximo de completar 20 anos eu consegui me afastar desta indigna vida. Fui morar fora da Capital e consegui me abster por um bom tempo.

Tempos depois eu me casei. Fui morar em Itaquera, onde voltei a usar e a situação chegou a sua pior fase. Agora eu usava todo santo dia. Se tornou insuportável. Era irreversível!

Cenas tristes! Constantemente algum usuário passava mal. Desmaios, enjôos, pressão...

Outros, também debilitados, tentavam ajudar, mesmo estando na mesma viagem.

Por vezes apareciam “do nada” alguns homens fardados.

Eles xingavam, gritavam, chutavam, batiam...

Mas bastava que eles virassem as costas e todo mundo voltava a apertar.

As sensações eram diversas...

Calor insuportável e falta de ar eram constantes.

As brigas, frequentes. Muitas vezes por questões fúteis.

Aquilo tira a você da razão.

Só quem já esteve nessa vida faz idéia do que estou falando.

É algo que não desejo a ninguém.

Jovens, com futuros promissores, se amontoando por causa de uma viagem!

Meus amigos diziam:

“Saí dessa vida!” Isso não é pra gente não!”, “Se esforça, cara!”.

Mas eu não sabia o que fazer. O fato é que eu lutei! Lutei muito!

Minha mulher foi extremamente importante.

Com a sua ajuda e muito esforço eu me livrei.

Juntos nós compramos um automóvel!!

E hoje, graças a Deus...

EU NÃO SOU MAIS USUÁRIO

DO TRANSPORTE PÚBLICO DE SÃO PAULO.

Lê Poveda Ex-usuário dos trens da CPTM - Expresso Leste/Calmon Viana Ex-usuário dos ônibus da SPTRANS

Ex-usuário do Metrô - Linhas Vermelha, Azul e Verde.

Alex, seu irmão, foi cobrador de ônibus - Linha Vila Matilde > Ermelino Matarazzo

Vista interior do Expresso Leste, terça-feira, 30 de março de 2010.

Fardado

Vista da Estação Brás